1 - Solo liberto ou caminhar livre
A partir da estrutura da figura 5, patenteada por Le Corbusier "Dom-ino", estrutura feita com betão de cimento armado, podemos a baixo custo elevar o edifício devolvendo ao ser humano a possibilidade de caminhar no solo. Veja-se esta elevação na figura 6.
Figura 6 (Le Corbusier - 1929 - Poissy, França)
Ao contrário, os tradicionais edifícios de pedra ou de tijolo, onde as paredes exteriores são elemento estrutural, não permitiam esta liberdade de projeto e enquanto edifícios impunham-se como obstáculos à circulação ao nível do solo. Vejam-se as figuras 7 e 8.
Figura 7
Ainda nos dias de hoje, não utilizando as possibilidades dos materias modernos, o projeto de arquitetura mantém-se frequentemente tradicional, sem as liberdades que os materiais modernos permitem, como no exemplo da construção da figura 9 que poderia ser toda realizável em pedra e madeira. Será esta arquitetura de estilo moderno? Não cumpre os 5 pontos e embora contenha materiais de fabrico industrial, o processo de construção ainda é essencialmente baseado no trabalho manual, não industrial, sendo que o excesso relativo de tempo utilizado na construção encarece a obra, portanto, não se trata de arquitetura moderna.
2 - Plantas livres
Está compreendido pelas propriedades mecânicas do betão armado (reage à compressão e à tracção como um só material) que dentro do edifício com estrutura em betão armado como na figura 5, podemos usufruir de maiores áreas desimpedidas de elementos estruturais, permitindo maior liberdade de projeto. Facilmente as paredes dos pisos superiores deixaram de ficar necessariamente por cima das paredes dos pisos inferiores, que tradicionalmente suportavam o peso das paredes dos pisos superiores. Estas possibilidades foram chamadas de "planta livre", isto é, uma designação para a liberdade na divisão da área horizontal do pavimento num piso e também entre os pisos.
Na figura 10, ao nível do solo, no piso 0, vemos os pilares que elevam o edifício. Neste piso podemos incluir a garagem do automóvel e das bicicletas. Nesta maqueta, a fachada está aberta para podermos ver os pisos 1,2 e 3. No piso 1, à direita é a cozinha e à esquerda a sala de comer e de estar. A maqueta da figura 10 é a obra da figura 11. Vemos na fachada esquerda da figura 11 dois pisos de caixilharia com vidro que na maqueta também se percebem. Voltando à figura 10, mostra-se que o pé direito da sala de estar no piso 1, é uma altura de dois pisos até uma varanda do quarto dos pais no piso 2. Sobre o muro da varanda interior existe uma porta de fole que permite a privacidade entre o quarto a as salas de estar e de comer. Dei este exemplo para demonstrar a plasticidade com que o betão armado se pode livremente moldar nas três dimensões geométricas. No piso 3 temos o quarto das crianças e um grande terraço aberto onde se pode brincar em segurança ao sol e ar livre, e estender a roupa.
A maqueta da figura 12 corresponde às três plantas da figura 13. Na planta do piso térreo podemos ver os "pontinhos" ou pilares dispostos com regularidade. Nestas plantas são visíveis as diferenças entre o piso térreo, o primeiro andar onde se desenvolve a habitação e um terraço interior, e o último piso de cobertura com terraço. As três plantas são diferentes, o que é exemplo de liberdade no projeto e utilização real do espaço segundo as necessidades. A edificação está suportada por uma malha cúbica regular de pilares e vigas que procuram a modularidade a caminho da pré-fabricação industrial, a caminho da possibilidade de maior criatividade, melhor qualidade e baixo custo, "O espírito daquele que dispõe de grandes meios técnicos é capaz de conceber livremente".
Tradicionalmente, dispúnhamos de muito menos liberdade como podemos ver na figura 14. Trata-se de uma planta, semeada de colunas estruturais, numa basílica em pedra.
Figura 14
Habitualmente o projeto de arquitetura ainda utiliza de forma reduzida as possibilidades da planta livre, como se depreende neste apartamento de cidade na figura 15, planta repetida piso sobre piso, apesar de as paredes não terem função estrutural, resultando nos tristes volumes da figura 22.
Figura 15
3 - Fachadas livres
Retomando a figura "Dom-ino" facilmente descobrimos que podemos aplicar diversas fachadas independentes da estrutura solucionando com muita liberdade necessidades de ventilação, vistas, vento, segurança contra intrusão, iluminação natural, etc. Para ilustração, apresento na figura 16 uma fachada de vidro. Repare-se nas colunas estruturais posicionadas no interior do edifício, afastadas do bordo do pavimento onde se fixaram os vidros da fachada livre. Escolhi esta fotografia, disponível na internet, apenas para ilustração da independência estrutural da fachada sem querer apresentar um exemplo de arquitectura porque neste caso a devassa da privacidade e as dificuldades térmicas parecem evidentes.
Na arquitetura tradicional estávamos mais limitados pela função estrutural das paredes, com pilares e colunas embebidos, como se pode ver na figura 17. E lembram-se das limitações dos contra-fortes?
Figura 17
Comparativamente ao nosso tempo, nas fachadas das catedrais góticas tínhamos possibilidade de ... fazer apenas ornamentação, fazer floreados, recortados, cheios e vazios, como se constata na figura 18.
4 - Janelas livres
Em consequência da fachada livre, temos a liberdade de projetar janelas de várias formas e dimensões. Na arquitetura tradicional, dispondo unicamente da pedra, do tijolo e da madeira, era impossível podermos construir a janela horizontal.Confronte-se as figuras 19 e 20 com as figuras 17 e 18. Nas anteriores figuras as janelas são elementos entalados entre os suportes verticais enquanto numa fachada independente da estrutura como nas figuras 19 e 20 podemos construir uma janela horizontal, naturalmente adaptada ao campo visual do plano horizontal dos nossos olhos.
Segue-se na figura 21 uma janela horizontal entre os interiores da habitação e um lago. Considere-se um lago tranquilo de horizonte distante e imagine-se a vista. Com esta janela pode-se olhar a linha do horizonte, sem obstáculos à direita ou à esquerda dos olhos. A luz do sol penetra e distribui-se pela sala de banho, pelo quarto de dormir, pela sala, por todas as divisões, iluminando e eliminando os cantos escuros.
Figura 21 (Le Corbusier - 1925 - Corseaux, Suiça)
Temos a obrigação de perguntar aos arquitetos das nossas cidades se, no caso da figura 22, se esqueceram das teorias da escola ou a questão é outra?
5 - Coberturas livres
Com as lages de pavimento de betão armado com revestimento térmico e impermeabilizadas, libertos dos telhados, beirados e cornijas, podemos usufruir de terraços e recuperar parte do espaço ocupado pelo edifício no solo. Ver exemplo de terraço na figura 23. No habitual quintal com 250 a 400 metros de superfície onde a vivenda ocupa metade ou mais do quintal, façam-se as contas, se em vez do telhado se construísse o terraço, a quantidade de plano de uso que se recuperaria, beneficiando da atmosfera, da paisagem e do sol.
MaxArkArt
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Le Corbusier - a arquitetura moderna e os 5 pontos da arquitetura moderna - segunda parte
O facto social, inédito na história da humanidade, de numa cidade com milhões de proletários constituídos por antigos camponeses que tinham sido expulsos do campo pelo processo da chamada revolução agrícola, viverem em cavernas, debaixo de pontes, e outras restantes condições miseráveis, originou epidemias que atingiram também as classes sociais abastadas e foi motivo para o desenvolvimento das técnicas de construção como foi o caso do betão armado. Um dos fatores do baixo custo do betão armado ou betão com armadura de aço é não carecer de mão-de-obra especializada, esta abundante nas próprias cidades.
É sobre os cinco princípios para projeto de arquitetura moderna que vou falar, depois de algumas leituras da obra de Le Corbusier (1887- 1965), sem ainda ter tido acesso ao livro "Les Cinq Points d'une architecture nouvelle - Consequence des tecniques modernes", de 1927, escrito por Le Corbusier, mas escrevo com os dados que disponho. São os seguintes pontos:
1 - Solo liberto ou caminhar livre
2 - Plantas livres
3 - Fachadas livres
4 - Janelas livres
5 - Coberturas livres
Compreenderão que o conceito de liberdade tão efusivamente aplicado tem justificação.
Le Corbusier escolheu cinco princípios, suponho, porque ele os contrapôs às cinco ordens do rígido vocabulário da construção em pedra (ver as colunas da figura 4 da esquerda para a direita, ordem toscana, dórica, jónica, coríntia e compósita) que ainda eram ensinadas nas Academias de Arte da antiga nobreza prendida ao gosto pelo uso da pedra e reacionária às possibilidades científicas e técnicas da época industrial que emergira.
É sobre os cinco princípios para projeto de arquitetura moderna que vou falar, depois de algumas leituras da obra de Le Corbusier (1887- 1965), sem ainda ter tido acesso ao livro "Les Cinq Points d'une architecture nouvelle - Consequence des tecniques modernes", de 1927, escrito por Le Corbusier, mas escrevo com os dados que disponho. São os seguintes pontos:
1 - Solo liberto ou caminhar livre
2 - Plantas livres
3 - Fachadas livres
4 - Janelas livres
5 - Coberturas livres
Compreenderão que o conceito de liberdade tão efusivamente aplicado tem justificação.
Le Corbusier escolheu cinco princípios, suponho, porque ele os contrapôs às cinco ordens do rígido vocabulário da construção em pedra (ver as colunas da figura 4 da esquerda para a direita, ordem toscana, dórica, jónica, coríntia e compósita) que ainda eram ensinadas nas Academias de Arte da antiga nobreza prendida ao gosto pelo uso da pedra e reacionária às possibilidades científicas e técnicas da época industrial que emergira.
Le Corbusier - a arquitetura moderna e os 5 pontos da arquitetura moderna - primeira parte
Os 5 pontos da arquitetura moderna são 5 princípios do manifesto do estilo moderno da arquitetura. Nomeei as figuras, fotografias e maquetas referentes às obras de Le Corbusier.
Materiais - Os materiais disponíveis na natureza ou que produzimos têm propriedades e recordo algumas: a resistência térmica, mecânica, acústica, o peso, a durabilidade, permeabilidade à água, custo de fabrico, de transporte, armazenamento e de colocação em obra, obstrução à luz visível, impressão estética, e outras. Interessa realçar que estas propriedades são condicionantes ao uso dos materiais, uso que por sua vez está condicionado à experiência do profissional.
"A natureza com suas leis domina nosso pensamento; nossos sentidos lhe são submetidos. Ela é o jazigo de todos os valores concebíveis por nossa razão.
Só concebemos na medida em que podemos realizar. Só concebemos claramente aquilo que podemos executar perfeitamente. O espírito daquele que dispõe de grandes meios técnicos é capaz de conceber livremente." Le Corbusier - 1918
A estrutura ou o esqueleto de suporte e as paredes - A técnica de edificação sempre tomou como elementos diferenciados, a estrutura e o enchimento de paredes. Por exemplo, na figura 1, num pavimento rés ao chão assente sobre estacas da tradicional habitação japonesa, observamos como os materiais das paredes-portas-janelas deslizantes desempenham funções de privacidade entre as divisões interiores e com o exterior, e não constituem o suporte estrutural do edifício que está a cargo de perfis em madeira.
No século XIX, na Europa, fabricou-se o material aço que pelas suas propriedades permitiu a construção de novos edifícios até então impossíveis de realizar. É o caso da torre do engenheiro Gustave Eiffel em Paris, em 1889. Ver figura 2. Os perfis de aço unidos com rebites, perfis muito mais leves que a pedra e com elevadíssima resistência à tração, permitiram elevar esta torre à altura de 324 metros.
Desde a época, o conjunto dos varões em aço ligados em estrutura metálica e embebidos com revestimento de betão de cimento para os proteger da oxidação e da temperatura de fusão na situação de incêndio, permitia solucionar a baixo custo o grave problema da falta de habitação. Os varões de aço têm elevada resistência à tração (tracção ou esforço de esticar em alongamento) e o betão de cimento por sua vez tem resistência à compressão (compressão ou esforço de encurtar em aperto), isto é, os dois materiais, aço e betão, completam-se como um só mais resistente. Ver figura 3.
Materiais - Os materiais disponíveis na natureza ou que produzimos têm propriedades e recordo algumas: a resistência térmica, mecânica, acústica, o peso, a durabilidade, permeabilidade à água, custo de fabrico, de transporte, armazenamento e de colocação em obra, obstrução à luz visível, impressão estética, e outras. Interessa realçar que estas propriedades são condicionantes ao uso dos materiais, uso que por sua vez está condicionado à experiência do profissional.
"A natureza com suas leis domina nosso pensamento; nossos sentidos lhe são submetidos. Ela é o jazigo de todos os valores concebíveis por nossa razão.
Só concebemos na medida em que podemos realizar. Só concebemos claramente aquilo que podemos executar perfeitamente. O espírito daquele que dispõe de grandes meios técnicos é capaz de conceber livremente." Le Corbusier - 1918
A estrutura ou o esqueleto de suporte e as paredes - A técnica de edificação sempre tomou como elementos diferenciados, a estrutura e o enchimento de paredes. Por exemplo, na figura 1, num pavimento rés ao chão assente sobre estacas da tradicional habitação japonesa, observamos como os materiais das paredes-portas-janelas deslizantes desempenham funções de privacidade entre as divisões interiores e com o exterior, e não constituem o suporte estrutural do edifício que está a cargo de perfis em madeira.
No século XIX, na Europa, fabricou-se o material aço que pelas suas propriedades permitiu a construção de novos edifícios até então impossíveis de realizar. É o caso da torre do engenheiro Gustave Eiffel em Paris, em 1889. Ver figura 2. Os perfis de aço unidos com rebites, perfis muito mais leves que a pedra e com elevadíssima resistência à tração, permitiram elevar esta torre à altura de 324 metros.
Desde a época, o conjunto dos varões em aço ligados em estrutura metálica e embebidos com revestimento de betão de cimento para os proteger da oxidação e da temperatura de fusão na situação de incêndio, permitia solucionar a baixo custo o grave problema da falta de habitação. Os varões de aço têm elevada resistência à tração (tracção ou esforço de esticar em alongamento) e o betão de cimento por sua vez tem resistência à compressão (compressão ou esforço de encurtar em aperto), isto é, os dois materiais, aço e betão, completam-se como um só mais resistente. Ver figura 3.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
CONSTRUÇÃO
18 de julho de 1887 : início da montagem do pilar 3
7 de dezembro de 1887 : montagem da parte inferior
20 de março de 1888 : montagem das plataformas horizontais
15 de maio de 1888 : montagem dos pilares em cima do primeiro andar
21 de agosto de 1888 : montagem da segunda plataforma
26 de dezembro de 1888 : montagem da parte superior
15 de março de 1889 : montagem do campanário
Final de março 1889 : vista geral da obra
PROJETO DA TORRE EIFFEL
A Torre Eiffel (em francês: Tour Eiffel, /tuʀ ɛfɛl/) é uma torre treliça de ferro do século XIX localizada no Champ de Mars, em Paris, que se tornou um ícone mundial da França e uma das estruturas mais reconhecidas no mundo. A Torre Eiffel, que é o edifício mais alto de Paris,1 é o monumento pago mais visitado do mundo, milhões de pessoas sobem à torre cada ano. Nomeada em homenagem ao seu projetista, o engenheiro Gustave Eiffel, foi construída como o arco de entrada da Exposição Universal de 1889.
A torre possui 324 metros de altura. Foi a estrutura mais alta do mundo desde a sua conclusão até 1930, quando perdeu o posto para o Chrysler Building, em Nova York, Estados Unidos. Não incluindo as antenas de transmissão, a Torre é a segunda estrutura mais alta da França, atrás apenas do Viaduto de Millau, concluído em 2004. A torre tem três níveis para os visitantes. Os ingressos podem ser adquiridos nas escadas ouelevadores do primeiro e do segundo nível. A caminhada para o primeiro nível é superior a 300 degraus. O terceiro e mais alto nível só é acessível por elevador. Do primeiro andar vê-se a cidade inteira, tem sanitários e várias lojas e o segundo nível tem um restaurante.
A torre tornou-se o símbolo mais proeminente de Paris e da França. A torre é uma parte do cenário caracterizado em dezenas de filmes que se passam em Paris. Seu estatuto de ícone é tão determinado que ainda serve como um símbolo para toda o país, como quando ela foi usada como o logotipo da candidatura francesa para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 1992.
O PROJETO
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Uma pequena analise dos estilos americanos...
http://www.arquitecturausa.com/index.php/es/casas-americanas/casas-custom/item/114-casa-a-medida-bc
É importante lembrarmos que para alcançarmos um nível minimo de excelência temos de ter um olhar para traz "pois não a cultura sem história..."
http://www.arquitecturausa.com/index.php/es/casas-americanas/casas-custom/item/114-casa-a-medida-bc
É importante lembrarmos que para alcançarmos um nível minimo de excelência temos de ter um olhar para traz "pois não a cultura sem história..."
O assunto abordado ai em baixo é importante pois todo o conceito por traz de um projeto arquitetônico passa pela perfeita elaboração de um partido arquitetônico eficiente.
Eu admito que agora estou começando a entender sobre esse tema dado a minha inexperiência, espero que a partir desta metade final de faculdade eu amadureça no entendimento deste que é uma parte importante de um projeto arquitetônico...
Eu admito que agora estou começando a entender sobre esse tema dado a minha inexperiência, espero que a partir desta metade final de faculdade eu amadureça no entendimento deste que é uma parte importante de um projeto arquitetônico...
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